12/02/09

Sao Paulo

Quinta, 12 de fevereiro de 2009,

Manu Chao abre turnê brasileira e mistura ritmos em SP
Osmar Portilho

Direto de São Paulo

Marcelo Pereira/Terra
Manu Chao se apresenta em SP

Manu Chao se apresenta em SP

Abrindo uma sequência de sete shows no Brasil, o cantor franco-espanhol Manu Chao apresentou-se nesta quarta-feira (11) no Espaço das Américas, em São Paulo. Famoso por misturar diversos ritmos, o músico não economizou empolgação para a primeira parada da turnê La Radiolina.

Quando a banda Zafenate, que conta com Theodoro Reis, filho de Nando Reis, subiu ao palco para abrir a noite, a casa ainda estava longe de sua lotação. Mesmo assim, o reggae do grupo foi suficiente para esquentar o público para a atração principal.

Três integrantes do grupo de Manu Chao subiram ao palco às 22h20 causando uma correria de quem estava nos bares e não queria perder o início do show. Enquanto improvisavam com bateria, teclado e percussão, o guitarrista da banda enfrentou alguns problemas na hora de plugar seu instrumento, obrigando os outros membros a estenderem a jam. Com o empecilho resolvido, os outros músicos tomaram o palco pouco a pouco até a entrada do vocalista.

Ovacionado pelo público logo que pisou no palco, Manu Chao convou seus fãs com um sonoro grito de « São Paulo » no microfone. Com a formação completa, a banda abriu o show com El Hoyo, do novo CD, e Que Pasa Que Paso. Com composições que misturam ritmos desde reggae, rock, música latina, hardcores e até eletrônico, o cantor consegue produzir um repertório vasto e que provoca uma reunião de diferentes tribos em sua platéia.

Embora a hora avançada do show reunida com sua data no meio da semana provocasse a saída de alguns fãs no meio da apresentação, o público não esfriou e cantou em coro canções como Clandestino, Minha Galera e Carreteiro. O repertório variou entre sucessos dos dois primeiros álbuns, Clandestino, de 98, e Próxima Estación: Esperanza, de 2001, com as composições de La Radiolina, lançado em 2007.

Na hora do bis, o grupo aproveitou novamente para passear por diversos estilos intercalando improvisos que partiam de música latina, passando por reggae e terminando em hardcore. Ao se despedir, o cantor bateu diversas vezes o microfone no peito simulando o som de um coração e agradeceu a presença dos fãs.

Manu Chao promete festa no Espaço das Américas

Lauro Lisboa Garcia (AE)

Notícia publicada na edição de 11/02/2009 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página

5 do caderno B – o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Mais Cruzeiro - [ 11/02 ]

Há quatro anos sem se apresentar em São Paulo, Manu Chao inicia hoje uma pequena turnê nacional por sete cidades. Em apresentação única no Espaço das Américas (em São Paulo), ao lado da vigorosa banda Radio Bemba Sound System, que já estava ontem na cidade, ele vai tocar pela primeira vez para os brasileiros o repertório de seu mais recente álbum, La Radiolina.

Não se trata, no entanto, de um show do CD, mas da banda, como ele

adverte: Disco é uma coisa, show é outra, bem mais pauleira, diferencia Manu. Quem viu os anteriores, relacionados aos discos mais tranquilos, Clandestino e Proxima Estación: Esperanza, sabe bem do que ele está falando. No palco, Manu e sua banda são incendiários. La Radiolina é mais próximo do que fazemos ao vivo do que os outros CDs, confirma.

A Radio Bemba, além de Manu (voz e guitarra), é formada por David Bourguignon (bateria), Gambeat (baixo), Madjid (guitarra), Garbance (percussão), Julio Lobos (teclados) e Angelo Mancini (trompete).

Os shows no Brasil não estavam planejados, foi tudo montado muito rápido, segundo Manu. Ele e sua banda estão encerrando a turnê, que passou pela Europa, pelos Estados Unidos e México, onde os shows foram filmados e certamente vão virar DVD. Em terras brasileiras ele conta com outro combustível para desencadear a pauleira. Aqui muda um pouco a apresentação, porque para mim estar no Brasil é sempre uma felicidade, seja pra show ou pra curtir a vida. A reação do público brasileiro sempre foi muito boa.

Além do shows da turnê, ele canta no Carnaval do Recife com a banda pernambucana Mundo Livre S.A. ‘É um imenso prazer reencontrar a Mundo Livre. No ano passado fizemos uma parceria em Fortaleza. Curto muito a versão que eles fizeram de Minha Galera, diz Manu, referindo-se à única canção de seu primeiro álbum-solo cantada em português.

Cidadão do mundo, bem relacionado, Manu canta em inglês, espanhol, português, francês, árabe, italiano, entre outras línguas. Amigo de Eugene Hutz, do grupo Gogol Bordello, de perfil cigano, Manu diz que é provável que se encontrem em alguma apresentação no Recife, já que os dois andam sempre por aqui. Embora muita gente compare um com outro, provavelmente pelo espírito anárquico, libertário, Manu faz distinção no aspecto musical.

Nossos trabalhos são bem diferentes, a base de inspiração da música dele é o Leste Europeu, a minha é mais latina. Nossa maior afinidade é a energia que temos no palco. Quando a gente se junta é uma festa brava.

Engajado em causas humanistas, Manu criticou o ex-presidente americano George W. Bush diversas vezes em discursos durante shows e canções. Em Rainin in Paradize, uma das melhores faixas de La Radiolina, canta: Em Bagdá não há democracia/ Simplesmente porque é um país dos Estados Unidos. Os oito anos de Bush no poder foram uma desgraça para o mundo inteiro. Acho que o dia em que Barack Obama foi eleito, simbolicamente, foi bem importante, mas que agora ele vai mudar alguma coisa, eu tenho muita, muita, muita dúvida. Faz muito tempo que a democracia é uma farsa. Faz muito tempo que os políticos em quem votamos não têm poder para mudar as coisas realmente. O que manda é a economia. Hoje, porém, ele garante uma noite de festa.